A cidade:
Fediam, as ruas também fediam.
Em cada passo que apertava as lajotas ligeiramente soltas exalava aquele cheiro inconfundível de urina, embebido em líquidos pegajosos e escurecidos pelo tempo de abandono nas calçadas.
O sujeito:
Tomava posse de seu corpo a repugnância, o cérebro tornava-se o mais puro asco, como se não pudesse caminhar mais pelas ruelas sem sentir vontade correr. Mas não uma corrida de fuga, mas de almejo a respiração pura, algum lugar que o mantivesse limpo, desinfectado de toda aquela anomalia, de todas as agressões aos sentidos, a razão e a beleza.
As Sirenes:
Como alguém poderia pensar obrigatoriamente enclausurado em uma sinfonia de sirenes, se não fossem as hipócritas e demasiadamente altas das viaturas, eram as trágicas e desesperadoras ambulâncias. As segundas causavam algum reflexo de compaixão geral, por longos sessenta segundos de ternura. O divino silêncio perdeu-se em templos distantes de tudo isso. E agora estávamos sujeitos aos alarmes estupradores de calmaria.
O Sistema:
Perdemos a capacidade de nos encararmos nos olhos, talvez porque esteja tudo apodrecendo, e não tenhamos coragem de nos auto-acusarmos, então não nos olhamos para não termos de dar explicações ou justificativas a fedentina. Apelo para que tentem fixar os olhos por dez segundos no outro, tente fazer parte de outra vida durante simples dez segundos.
Logo depois espere um momento, e pense em toda essa latrina... Quem sabe consigamos depois disso, nos tornarmos irmãos.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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