As malícias de uma antiga selva, entretanto de uma agradável cidade-menina. Reflita nas inúmeras histórias dos lugares, de suas entregas, de frias perdas, das rotinas ácidas, dos bêbados ao relento, no eufórico seio dos amantes pelas ruelas.
Da garoa e do sublime caos.
Ela não permite que tenhas escolha, sutilmente (ou nem tanto) São Paulo vem até você, te arrebata num lamento, levanta lentamente e num suspiro seguido de beijo úmido te massacra! Alavanca suas forças e te derruba. Estás perdido.
Com dedos frios em braços de quadras longas, ela te abraça, e prende sua razão em plena Liberdade, é provida de pernas longas, quentes, em cada palmo permanece um mistério, a incógnita que corroe as entranhas. Propõe felicidades, numa simplicidade sofisticada e discreta de ser menina, que traz séculos de glórias, de guerra e um pouco de paz.
Uma tranqüilidade de viver à beira da morte, que mesmo na sensação de maior dedicação íntima lhe parece longe, em cada minuciosa curva, dentre cada poro, em cada gotícula que exala um cheiro único e inconfundível. Essa cidade lhe mata. De paixão.
Assim o mundo fica pequeno, não cabe “nela”, na vida, na cidade, naquele pequeno quarto invisível aos olhares de todos, mas único na perfeição do momento. O Nosso momento, era a menina de veias abertas e a solidão conjunta das luzes de postes tristes.
A pele e o asfalto, o sangue e os canos, o toque e os Jardins, as buzinas e a gafieira, a dor e todo o resto a lhe prover êxtase, uma luta de idéias e conflitos de diferenças, nos sutis e perigosos caminhos atentos, de um olhar puro, verdadeiramente intrigante.
O ventre que lateja o calor, as palavras que desvanecem nas horas perdidas, a imensidão infinita da mulher de fogo, das pedras em brasas que constroem e desconstroem homens, famílias, amores, uma esperança viva! Calor, quem sabe.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
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Você realmente sabe transmitir um momento único em palavras delicadas e sutis...és um verdadeiro artista! bjs...Jú
ResponderExcluirA cidade mastiga os sonhadores e cospe seus sonhos, seus projetos, seus planos. Tudo se torna claro diante de suas janelas, de seu concreto. No meio da selva, tudo torna-se mais solitário e distante e, portanto, é possível enxergar de cima. O caminho mostra suas nuances e suas curvas, como um amante que se entrega de corpo e alma, revelando sua anatomia. Torna-se íntimo. E, ainda assim, seu sentido escapa diante de suas inúmeras ruas, seu tráfego intenso e seu céu acinzentado.
ResponderExcluirBelíssimo texto. Palavras mais-que-perfeitas.