segunda-feira, 13 de abril de 2009

Uma carta ao mundo

Demonstrem algo que realmente faça sentido, encontrem um motivo sólido para continuar correndo na incrível roda de ciclos chamada terra. Afinal essa ansiedade, esse nervosismo anexo a inquietação está para que fim?!

O medo, a melancolia e o tédio são armas brandas, são como as doenças terminais que vão nos consumindo aos poucos, lentamente afetando todos os órgãos até chegarem na mente –a estrada da razão- onde estacionam e instalam-se.

Vejam que essa interminável corrida para lugar algum está desmoronando a sociedade, eu sou apenas mais um, quase encantado. Estamos distraídos com referências estúpidas, baseados em valores invertidos, naufragados em um mar de informações que não dizem absolutamente nada. E muitas vezes a profundidade intelectual é digna de pena.

Esta é uma boa definição, sim eu sinto pena das pessoas hoje. Tenho um imenso carinho e principalmente respeito pela grande maioria, afinal seria tolice esbravejar com crianças, e também não seria algo racional e digno.

Analisando o real:
Quantas vezes você já pensou no que fazer com seu tempo livre? Mas então quando você conquista o valioso tempo o que você realmente faz? Temos a questão financeira, muitos se dizem amarrados a falta de atividades devido a pobreza. Concordo em parte, mas o que você me diz dos homens que possuem fortunas e ainda sim não param para usufruir de seus bens? Afinal alguns trabalharam muito para isso.

A lógica não seria essa: Acumular e viver em liberdade, ou será que a liberdade é manter-se rico e contratando pessoas? Afinal você trabalha por que? Podemos ainda justificar pela sobrevivência, que é possível com um local simples, água, alimentos e algumas roupas. E para isto não se faz uma vida inteira necessária. Mas temos as doenças e o bem-estar correto? Então talvez você trabalhe, fique tenso, fume, beba e crie gastrite crônica porque esta tentando se manter saudável e feliz? É... tem alguma lógica.

Seguindo este raciocínio talvez nós trabalhemos pelo conforto, são oito, nove, doze horas em “confortáveis empreendimentos” para podermos chegar em uma bela casa e passarmos quatro ou cinco horas vendo TV e comendo. Porque o restante do tempo estamos dormindo, obviamente nas confortáveis camas.

Quem sabe pactuamos nessa rotina para nos mantermos protegidos, para fazermos parte do grupo –uma relação de interesses-, nos esforçamos para juntar dinheiro para mantermos alguém que nos ama (ou amava), mas porque esta obviamente queria ser sustentada para também manter-se confortável Ou nos apaixonamos porque a idéia de conviver com a solidão e o tempo livre é insustentável para alguns.
Entendo, é um tanto complicado o encontro consigo mesmo.

O tempo, tudo gira em torno do tempo, ou melhor, da falta dele. Estamos assim porque estamos atrasados, não entendemos muito bem para que, mas estamos! Porem acho que dentre a cegueira generalizada aprecio definitivamente alguns objetivos, a idéia de conhecimento por exemplo me parece sensata, o auto-conhecimento e a expansão de um universo mais real e útil

Uma rotina (pois disciplina é liberdade) de acontecimentos e processos com objetivos tanto individuais quanto coletivos visando uma melhora significativa social. Isso faz sentido, fazer parte de algo que esteja com os olhos no crescimento como um todo harmônico.

A beleza e o intelecto, a procura por estas duas vertentes mereceria atenção especial de toda humanidade, pois através da essência da beleza reproduzimos a arte, e esta demonstra nossa face mais íntima, mais subjetiva, algo divino que contraste junto ao intelecto metódico, racional e firme. Intelecto necessário visto que precisamos nos desenvolver individualmente até para obtermos um crescimento ampliado, essa interdependência entre o pessoal e o social torna-se importante nestes fatores.

As paixões são fantásticas (compreendo), algumas metas são nobres, existem pessoas com muita sede de amenizar e harmonizar, mas eu gostaria de saber de cada um na terra, a verídica razão de estar participando desse planeta. Isso faria sentido, entender não somente o porque de estar aqui, como também presenciar o estado de amplitude das consciências humanas.

Fazermos das trocas, das relações, do convívio propriamente dito algo virtuoso, uma jornada de condições evolutivas plenas, dentro das relações amorosas quem sabe observando os equívocos do outro consigamos perceber os nossos, e não simplesmente uma convivência carnal e emocionalmente interesseira e depreciativa ou competitiva.

Talvez estejamos realmente atrasados, mas atrasados para nos tornarmos pessoas melhores, com ideais melhores, com planos e idéias superiores, com pilares de dignidade, caráter, justiça, realidade e amor puro. Estamos agora estagnados em rodas de questões irrelevantes e efêmeras, acredito que já é hora do mundo rever para onde e porque estamos todos juntos e o que de fato deveríamos estar construindo.

.'.

1 comentários:

  1. Maquiavel dizia que o egoísmo de cada um era fundamental para a contrução da ordem coletiva...
    Eu não sei de acredito nisso. Mas concordo plenamente com você quando questiona que porra de ordem é essa que nós procuramos.

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