sábado, 14 de março de 2009

Pacotes

Coube ao vendedor interpretar aquelas perguntas que não faziam nenhum sentido aos olhos de homem tão simples de expressão ligeiramente amargurada pelos anos sofridos de sol a pino.
Perguntou duas ou três vezes para o mirrado guri que permanecia imóvel em frente à barraquinha de quinquilharias:
O que é isso é algum brinquedo? É esse nome mesmo? Tá certo?

Sim, respondeu o menino sem tirar os olhos do pasmo vendedor. Estou querendo dois pacotes de felicidade e um pouco -pode ser meio até- de compreensão da vida.
-O Sr tem isso aí?

Um tanto quanto sem jeito o velho respondeu pra não ficar calado:
-Olha guri, eu já tive os dois, mas acabei vendendo pra alguém que eu nem me lembro direito e... Além disso, foi há muito tempo atrás! Hoje tenho isso que tu tá vendo.

O guri saiu caminhando sem ao menos se despedir, e pensou que não poderia voltar tão cedo pra casa enquanto não conseguisse estes tão desejados pacotes, lembrou-se que ouviu claramente os pais conversando sobre essa tal felicidade e que não conseguiam encontrá-la porque também não entendiam essa outra coisa chamada compreensão da vida.

Estava decidido. Só iria retornar quando pudesse encontrá-los.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. E ao iniciar sua busca, ele já se encontrava mais perto de encontrá-los do que todas as outras pessoas.
    Triste saber que, atualmente, tudo se compra, se vende, se corrompe.



    Simples e belo.
    =*

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