As ruas estavam tomadas de uma sensação de euforia: as senhoras nas janelas, as crianças correndo ladeira abaixo, os senhores de camisas abertas empolgados em discussões amigáveis nas portas dos botequins. O bairro respirava e exalava os sintomas que alguma coisa íntima estava prestes a acontecer.
Sorrisos de guriazinhas, cachorros abanando suas caldas frenéticas, o vêm e vai de gente que há muito tempo não se via pela região. Muita conversa espontânea, demasiadamente agradável e cativante. Como se todos estivessem embebidos naquela redoma de sentimentos que agora tudo daria certo. Todavia, aquele era “o” dia.
Com o bater de asas dos pássaros que cantarolavam pelos galhos, as árvores participavam dançando pelos pátios e entre as calçadas, estavam todos numa atmosfera de abraços, e naquele afago do vento que gentilmente sedia carícias na despedida da tarde e prestigiava a ascensão da noite.
Tratava-se de um apego aos bons costumes, a harmonia sem retratos de qualquer minuciosa hostilidade, afinal eram mãos abertas, o companheirismo desinteressado, a simples convivência. Um dia para cultivar as sutilezas da saudade.
domingo, 15 de março de 2009
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Então, vem o dia seguinte, com suas cores mortas e cotidianas. Com ele, a cegueira, a servidão, o comodismo e a inversão de valores.
ResponderExcluirMas, mesmo assim, ainda resta a lembrança deste dia, resta a saudade.
=*